Song of myself

02 ago

CANÇÃO DE MIM MESMO

EU CELEBRO a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a
[ você.

Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade …. observando uma
[ lâmina de grama do verão.

Casas e quartos se enchem de perfumes …. as
[ estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o
[ reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também,
[ mas não deixo.

A atmosfera não é nenhum perfume …. não tem
[ gosto de destilação …. é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre …. estou
[ apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e
[ pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.

A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros …. raiz
[ de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração …. a batida
[ do meu coração …. passagem de sangue e
[ ar por meus pulmões,
O aroma das folhas verdes e das folhas secas,
[ da praia e das rochas marinhas de cores
[ escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz ….
[ palavras disparadas nos redemoinhos do
[ vento,
Uns beijos de leve …. alguns agarros …. o
[ afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto
[ oscilam seus galhos sutis,
Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos
[ campos e encostas de colina,
Sensação de bem-estar …. apito do meio-dia
[ …. a canção de mim mesmo se erguendo
[ da cama e cruzando com o sol.

SONG OF MYSELF

I CELEBRATE myself;
And what I assume you shall assume;
For every atom belonging to me, as good belongs
[ to you.

I loafe and invite my Soul;
I lean and loafe at my ease, observing a spear
[ of summer grass.

Houses and rooms are full of perfumes—the
[ shelves are crowded with perfumes;
I breathe the fragrance myself, and know it and
[ like it;
The distillation would intoxicate me also, but I
[ shall not let it.

The atmosphere is not a perfume—it has no taste
[ of the distillation—it is odorless;
It is for my mouth forever—I am in love with it;
I will go to the bank by the wood, and become
[ undisguised and naked;
I am mad for it to be in contact with me.

The smoke of my own breath;
Echoes, ripples, buzz’d whispers, love-root,
[ silk-thread, crotch and vine;
My respiration and inspiration, the beating of my
[ heart, the passing of blood and air through
[ my lungs;
The sniff of green leaves and dry leaves, and of
[ the shore, and dark-color’d sea-rocks,
[ and of hay in the barn;
The sound of the belch’d words of my voice,
[ words loos’d to the eddies of the wind;
A few light kisses, a few embraces, a reaching
[ around of arms;
The play of shine and shade on the trees as the
[ supple boughs wag;
The delight alone, or in the rush of the streets,
[ or along the fields and hill-sides;
The feeling of health, the full-noon trill,
[ the song of me rising from bed and
[ meeting the sun.

Walt Whitman
Folhas de Relva (Leaves of Grass)