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Aniversário


14 ago

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino.
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui. . .
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!. . .

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!. . .

 

 

Álvaro de Campos, 15-10-1929. 1ª publ. in Presença, nº 27. Coimbra: Jun.-Jul. 1930.

Em palavras, em Coimbra, em Lisboa


15 out

livro Coimbra em Palavras_Todos juntos

Coimbra em palavras – Lançamento em Lisboa (malta)

Coimbra em palavras Lançamento em Lisboa + Wagner Merije

Vídeos: @partilheconteudo

Coimbra em Palavras reúne 34 autoras e autores (de todos os continentes) para celebrar a multifacetada cidade de Coimbra

LANÇAMENTO EM LISBOA
13/10/2018 – Livraria Tigre de Papel – Rua de Arroios 25, 1150-053

Coimbra é eterna e misteriosa e aqui é apreciada de forma criativa através das palavras de Poeta G, Rita Gomes, Ricardo Almeida, Élia Ramalho, Raquel Lima, Wagner Merije, Marie Claire De Mattia, Bruno Mendonça, Marina Alexiou, Tiago Miguel Knob, Hérica Jorge, Fábio Lucindo, Elaine Santos, O Urso, Helen Maia, Jairo Fará, Julie-Cerise Gay, Zhang Qinzhe, Aline Ferreira, Vittorio Aranha, Moema Najjar, Rafael Cheniaux, Paula Machava, Sérgio Fagundes, Clara Pereira, Laylla O’Neall

mais
Luís Vaz de Camões, Eça de Queirós, Florbela Espanca, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Tomás Antônio Gonzaga

Prefácio: José Augusto Cardoso Bernardes Posfácio: Adriana Calcanhotto
Organização e edição: Wagner Merije

Coimbra em Palavras faz parte de uma coleção da Aquarela Brasileira Livros, editora sediada em São Paulo e que chega agora a Portugal, que apresenta histórias afetivas de cidades, estados e países, pela visão e sentidos de quem vive e se reconhece em suas ruas, casas, esquinas e bares

Saiba mais em www.aquarelabrasileira.com.br/coimbra-em-palavras

Para comprar o livro, faça contato: faleaquarela@gmail.com

Ecologia de Saberes – Boaventura de Sousa Santos e Wagner Merije


26 mai

Encontro histórico e memorável do poeta e escritor Wagner Merije com o sociólogo e poeta Boaventura de Sousa Santos em Coimbra (25/05/2018), por ocasião do encerramento do ciclo de Aulas Magistrais na FEUC.

Foi no Restaurante O Casarão, em Santa Clara, em momento de trocas de ideias e de livros, confidências, afagos, poesia, cantoria e boa comida.

Wagner Merije participou também do encerramento da Aula Magistral em uma intervenção artística coletiva.

Na sexta-feira, 25/05/2018, vencemos mais um desafio na união entre a arte e a academia. Pegamos o resumo de todas as aulas do Boaventura de Sousa Santos e transformamos em uma intervenção poética coletiva.

Com Carlos Guerra Junior, Wagner Merije, Deniza Machado, Aristeo, Simone Marins, Ligia Bugelli, Carlos Henrique Piedade, Emiliana Neto, Pamela

Local: Faculdade de Economia (FEUC), Universidade de Coimbra, Portugal

 

Carlos:

Acalmem-se!

Os artistas pós-abissais chegarão!

E virão todos vestidos… De narrativas… de emancipação

 

Wagner Merije:

Nós já estamos aqui, somos todos nós

Mas precisamos nos despir

Do colonialismo, do capitalismo, do hetero patriarcado

Vestir novas linguagens

Descobrir (e assumir) que podemos fazer de uma sala de aula, uma zona libertada…

 

Deniza:

Pode a sala de aula, ser uma zona libertada?

Vai misturar conhecimento científico com cultura?

Isso é mais uma loucura do Boaventura

Que acha que tudo é campo de luta contra ditadura…

 

Aristeo

Calma! Afastem-se!

Não atirem contra o otimista trágico!

Não tenham medo!

Um outro mundo é possível, sim!

O nosso medo de mudanças radicais

É que tem sido o maior alimento da globalização hegemônica

Cada espaço que não ocupamos, o neoliberalismo ocupa

Precisamos nos alimentar com mais esperança e menos medo

E criar outra globalização

 

Simone:

É, mas vamos lutar de forma articulada

Se os opressores estão todos unidos

Nada de nos fragmentar

Toda luta feminista tem que ser anti-racista e anti-capitalista

Nem as contradições de qualquer luta podem ser motivo de nos separar

As contradições são do sistema. As resistências também serão contraditórias, vamos aprender a cada dia

 

Lígia:

Vamos diminuir as fronteiras, parceira!

Nos aproximar, encontrar os pontos de congruência

Descobrir em meios as ausências, um paraíso de competências

Vamos criar transformações radicais na nossa forma de sociabilidade

Emancipar, vencer barreiras e preconceitos

Pois assim, temos espaços para criatividade e novas subjetividades

 

Carlos Henrique:

Escuta!

Conhecimento se dá na luta! Não com verdade absoluta

Vamos transformar o pobre em rei e não deixar que ninguém esteja abaixo de lei

Lula Livre!

Direito pra todo mundo: Mulheres, negros, indígenas ou gay

 

Emiliana:

Vamos.. vencer a linha abissal e o fascismo social

Vamos.. caminhar para a cidade pós-abissal

Vamos.. valorizar a criatividade local

Vamos… incluir o rap, teatro do oprimido e sarau

Vamos… descolonizar o pensamento em Portugal

 

Pamela:

Quando aumentamos nosso poder de percepção pro sensível

Aprendemos a cada dia que…

 

Todos: Um outro mundo é possível!

 

 

Texto compilado por Carlos Guerra Junior

Poesia em Comemoração ao Derrube do Fascismo


25 abr

No dia 25 de abril de 2018, data que em Portugal se comemora o Derrube do Fascismo, Wagner Merije foi um dos convidados do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, para falar poemas que dialogassem com o tema.
O poeta Wagner Merije apresentou alguns textos de seu primeiro livro, “Turnê do Encantamento”, que em 2018 completa 10 anos de publicação.

Poesia_250418_CAPC

Programação:
Dj Set de Diogo Simões
Leitura de Poemas por Wagner Merije, Pedro Vaz e Rita Gomes
Performance sonora de Frederico Nunes e Gonçalo Parreirão, com participação especial de Wagner Merije

Cia do Tijolo na Estação da Luz


02 jan

Meu poema canta na estação

meu poema extrai voz do coração

meu poema canta, pois que cante

canta porque são poetas os que cantam na estação da luz

Os cantores chegam e é outra estação

é hora de começar

e abrir bem o coração

e atravessar o chão encerado da estação da luz

Um cantar que desperte o vizinho

que seja tão bom como carinho

capaz de despertar as trevas do coração

quando o poema e os poetas cruzarem a estação da luz

Somos nós, vejam só

nós que estamos ali

nós que somos muitos e somos um

como gente comum na estação da luz

É hora de começar

e nós nem ainda sabemos o que é

desperta, con-venha

que não é pouco o tijolo cantar na estação da luz

Viva a Arte! Viva a resistência!

Viva a arte! Abaixo a violência!

E tudo é diferente

e parece bonito

os vagões vão respirando

e os corredores apertados também respiram na estação da luz

A gente quer voz ativa

a gente quer cantar o nosso destino

a saída é roda viva

é poesia e grito saindo do coração na estação da luz

Um poema em elaboração de Wagner Merije

Cia do Tijolo na Estação da Luz

A mandinga de bons sons, Merije no Bamba Jam


04 out

A mandinga de bons sons
De segunda a sexta-feira, Jai Mahal apresenta o Bamba Jam, programa com linguagem única e seleção musical diversificada, misturando o samba, o funk, o reggae, o rock, os ritmos que formam a miscelânea da música brasileira.
Ao vivo na Rádio Cultura AM 1200
Além da programação musical, todas as quartas-feiras Mahal convida artistas de diferentes linguagens musicais para falar um pouco de suas carreiras, influências, divulgar um novo trabalho e ainda escolher as músicas do programa.
Neste programa o convidado é o multimídia, suprasensorial, criador eclético e bamba Wagner Merije, que apresenta composições próprias, faixas que criou e produziu para outros artistas (como Raul de Souza, Marku Ribas, entre outros), fala de seus lançamentos (CDs, DVDs, livros), recita poemas e analisa a cena cultural brasileira.
O programa já contou com a presença de outros grandes artistas como Claudio Zoli, Falcão, Osvaldinho da Cuíca, Germano Mathias, Anelis Assumpção, O Terno, Cachorro Grande, O Teatro Mágico, Bocato, André Christovam, Matoli (Clube do Balanço), Max B.O., Duofel, Rafael Castro e muitos outros.

Sobre o apresentador:
O músico e radialista Jai Mahal, um dos responsáveis por trazer o reggae para o Brasil, começou sua carreira radiofônica apresentando o programa Reggae Raiz, com China Kane, na Rádio Brasil 2000 nos anos 1980.
Em 2005, Mahal chegou à Rádio Cultura Brasil e desde então apresenta os programas Bamba Jam e Reggae de Bamba.
Paralelamente a seu trabalho de radialista, o músico está à frente da banda de reggae Jai Mahal e Os Pacíficos da Ilha. Em 2014, lançou seu segundo álbum autoral, Invísivelman, produção de Gerson da Conceição e Mahal, com as participações especiais de artistas como Arnaldo Antunes, Lúcio Maia, Osvaldinho da Cuíca, Isaar e Luciana Simões.

Ficha:
De segunda a sexta, às 18h
Apresentação: Jai Mahal
Produção: Vinicius Calixto

Merije em La Garçonnière


17 set

O poeta Wagner Merije participou do evento La Garçonnière apresentando seus poemas.
Foi no dia 16/09/2017, no Estúdio Lâmina, no centro de São Paulo.

 Wagner Merije_La Garçonnière_16:09:2017_Estúdio Lâmina1
Wagner Merije_La Garçonnière_16:09:2017_Estúdio Lâmina2
História
1917:
Rua Líbero Badaró, 67, no 3º andar, sala 2: endereço onde Oswald de Andrade (1890-1954) manteve, entre 1917 e 1918, no Centro de São Paulo sua Garçonière (quase 100 anos depois de alterações, o número atual é 452). Com algumas telas de Di Cavalcanti e Anita Malfatti nas paredes, o espaço era ponto de encontro entre seus amigos e sua amante, Maria de Lourdes Pontes, uma estudante de 16 anos, do Colégio Caetano de Campos, chamada por Oswald de Miss Cyclone. O fato de ir sozinha à Garçonière regularmente, sendo uma adolescente, fascinava os que mais frequentavam aquela Garçonière: Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto, Di Cavalcanti, Monteiro Lobato, Menotti del Picchia, entre outros. No “covil da rua Líbero” (como a Garçonière era chamada pelo autor de Memórias Sentimentais de João Miramar), entre muita discussão, brigas, amores e manuscritos pelo chão, ao som de uma Grafonola Columbia e poucos discos, aconteceu o grande ensaio do que seria a Semana de Arte Moderna de 1922. Parte do que fizeram foi contado num livro de registro de impressões: O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo, batizado por Pedro Rodrigues de Almeida, um dos habitués. Relatório de surrealidades, o livro-caixa-de-surpresas (apelidado anos depois por Haroldo de Campos), totalizou 203 páginas preenchidas com ditos e desditos, trocadilhos, piadas, desenhos, recortes, caricaturas, poemas, quase-poemas e uma “troca de correspondências” entre os frequentadores da Garçonière, que usavam apelidos: Oswald era Garoa e Miramar; Deisi era Miss Cyclone, Miss Tufão, Miss Terremoto, Tufãozinho ou Gracia Lohe; Pedro Rodrigues de Almeida era João de Barros); Monteiro Lobato era Frei Lupus Ancilóstomo, Conselheiro Acácio, Chico das Moças, Lobe, Rowita, Constante Leitor, Cuscus, Tutu Lambari e Zé Catarro; Menotti del Picchia era Paulo; o poeta Guilherme de Almeida era Guy e o desenhista Ignácio da Costa Ferreira era Ferrignac, Ventania e Jeroly. Os frequentadores do retiro oswaldiano anteciparam a era modernista, inaugurado naquele livro-objeto, “o cardápio perfeito para o banquete da vida”, como escreveu Guilherme de Almeida. A Garçonière não existiria sem o livro de registro, assim como não existiria sem Oswald. Nas folhas do livro-caixa-objeto, Oswald compôs o primeiro esboço do seu romance “Memórias Sentimentais de João Miramar”, publicado em 1924, a mais experimental obra da literatura modernista. Como todos os transformadores, Oswald de Andrade fundiu vivência e obra na experiência literária: arte & fraternidade. A grande obra é vida.

2016:
Avenida São João, 108, quarto andar, esquina com a Rua Líbero Badaró, num prédio muito parecido ao da Garçonière oswaldiana, o Escultor Social e Curador Luciano CortaRuas e o Editor e Poeta Vanderley Mendonça inauguraram uma Garçonière (exatos cem anos depois da inauguração do Cabaret Voltaire, em Zurique) e apenas a cem metros de onde funcionou a de Oswald de Andrade, entre 1917 e 1918.
A Garçonière do século XXI, que tem um leve tempero Dadá, abriga amigos, poetas, escritores, artistas e convidados numa das salas do Estúdio Lâmina (galeria e ateliê que reúne artistas residentes de várias partes do Brasil e estrangeiros). Com o mesmo espírito modernista de paradoxo, fraternidade, arte & vida, os organizadores abrem as portas ao público uma vez por mês.

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LA GARÇONIÈRE, 13a. edição.
Curadoria de Luciano CortaRuas e Vanderley Mendonça

ARS POETICA
Claudio Willer
Wagner Merije
Jessyca Pacheco
Cide Piquet
Grace Kelli Perreira
Elisa Andrade Buzzo
Vanderley Mendonça
Luciano CortaRuasMÚSICA :
ABC LoveLIVROS:
Ed. Editora Benfazeja:
Gravuras Japonesas/Japanese Prints, de John Gould Fletcher (tradução Anderson Lucarezi e Lucas Zaparolli de Agustini,Selo Demônio Negro:
* Cântico de Orge, de Bertolt Brecht (Trad. Matheus Guménin Barreto)
*Dito ao Anoitecer, de Ingeborg Bachmann (Trad. Matheus Guménin Barreto)

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Sábado, 16 de setembro, das 20 h às 24 h
Estúdio Lâmina
Avenida São João, 108 – 4o. andar – São Paulo, SP
(Esq. Rua Líbero Badaró)
Entrada: R$ 15,00

Fotos: Grace Kelli Pereira

O silêncio dos inocentes


26 jul

Max Ernst_The Antipope

 

É comovente

o silêncio dos inocentes

é apavorante

é deprimente

é significante

é diferente

Não é

o que eu esperava dessa gente

Fingem de mortos

com os olhos abertos

Oh silêncio dos inocentes!

Estão mortos?

Corações apertados nos peitos

sentados diante de meio copo, meio corpo

calados, amorfos, garfos tortos

nem se enxergam direito

Já perguntam: de onde vem esses ecos sombrios?

O silêncio dos inocentes

fantasmas em seu próprio ninho

mudos em um mundo tão pequenino

surdos e famintos

cegos e sozinhos

inocentes

até que se prove o contrário

 (um poema de Wagner Merije, em construção)

Arte: Max Ernst_The Antipope

Mexidinho


08 mai

Mexidinho_capa 3d

Mexidinho é um livro da Coleção Leve um Livro.
Recebi em 2015 um convite dos criadores da coleção, Ana Elisa Ribeiro e Bruno Brum, para apresentar uma seleção de poemas. E agora essa seleção de versos retirados dos livros “Viagem a Minas Gerais” (2012), “Turnê do Encantamento” (2009) e “Torpedos” (2011) virou esse belo livrinho de 16 páginas, com tiragem de 2.500 exemplares, distribuídos gratuitamente em 22 pontos da cidade de Belo Horizonte.
A arte da capa é da Tatiana Perdigão.

Mexidinho é o livro do mês. E Wagner Merije o poeta do mês. Maio/2017

Mexidinho_Leve um livro_livro do mêsMexidinho_Wagner Merije_Poeta do mês

 

 

Mexidinho_com café Mexidinho_na ampulheta

Um poema:

Obra-prima
Quando a palavra encontra rima
uma estrofe pode virar obra-prima

Se você não topou com o livro por aí, pode saboreá-lo fazendo o download aqui

 

Conheça os outros livros e poetas participantes no site www.leveumlivro.com.br

Viagem a Minas Musical


15 abr

Sinopse
Viagem a Minas Musical é uma apresentação poética-musical-cênica que leva o público em uma deliciosa viagem pelo estado de Minas Gerais, rico em tradições culturais, paisagens, sabores e prosa.
O roteiro é estruturado a partir de poemas do livro Viagem a Minas Gerais, de Wagner Merije (2013), entre outros, entrelaçado com canções de domínio público e de intérpretes e compositores como Clara Nunes, Milton Nascimento e o Clube da Esquina, Ary Barroso, Martinho da Vila, Caetano Veloso, Paulo Diniz, Wando e Ataulfo Alves.
O cenário recria uma cozinha de Minas, onde um poeta, uma cantora e um músico dão corda na prosa, na poesia e na música, enquanto vão apresentando parte da história de Minas e dos mineiros.
A proposta é que ao final da apresentação o público saia com a sensação de conhecer um pouquinho mais de Minas, mas com a certeza de que trata-se de um lugar incrível e ainda por ser descoberto por brasileiros e estrangeiros.
No elenco estão o poeta Wagner Merije, a cantora e atriz Tâmara David e o músico Matheus Nascimento.
A estreia ocorreu no Sesc Palladium, em Belo Horizonte.

 

Fotos: Henrique Chendes

Apresentação
Com pão de queijo e rapadura no embornal, venha se aventurar com uma trupe de poetas, músicos e atores nesse lugar povoado de sanfonas e sinfonias, outonos e outroras, aonde um mundo se funda, onde o Rio Jequitinhonha deságua no Mar de Espanha, levando o vaqueiro Riobaldo a bordo de um barquinho de papel.
É uma viagem para dentro do Brasil, como disse Fernanda Montenegro, citada por Caetano Veloso na gravação de A terceira margem do rio, com Milton Nascimento: ”Eu vou ao sul do Brasil e me sinto em um lugar relativamente estrangeiro. Vou a Salvador e me sinto em um lugar bastante estrangeiro… Porque no sul do país parece que fui pra Europa, na Bahia parece que eu fui pra África… Mas quando eu vou a Minas, sinto que fui para dentro do Brasil”, declarou a grande dama do teatro brasileiro.
Minas Gerais, com sua imensidão cultural e geográfica, vem historicamente seduzindo poetas, artistas e viajantes de todo o planeta. Guimarães Rosa junto com Manuelzão fez o caminho que originou o “Grande Sertão: Veredas”. Manoel Bandeira, visitando o estado, produziu o “Guia de Ouro Preto”. Mário de Andrade com Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e o suíço Blaise Cendrars, acompanhados de uma turma da Semana de Arte Moderna, andaram visitando as Gerais, linkando poetas mineiros com  o vasto mundo, oportunidade em que  conheceram Carlos Drummond de Andrade e seus amigos.
Minas é raiz, é tradição, é antiga, mas também moderna e pulsante, sem esquecer de tudo que o envolve o “ser mineiro”: ingênuo, hospitaleiro, desconfiado e feliz.
A inspiração vem dos espetáculos “Poeta, Moça e o Violão” (1973), com Vinícius de Moraes, Clara Nunes e Toquinho, e “Brasileiro, Profissão Esperança” (1974), de Paulo Pontes, interpretado em duas montagens diferentes por Paulo Gracindo e Clara Nunes, Ítalo Rossi e Maria Bethania.

 

Fotos: Daniel Quintela

 

Duração
90 minutos

 

 

Contatos para apresentações
Aquarela Brasileira
www.aquarelabrasileira.com.br
faleaquarela@gmail.com
(11) 99821-1330

Rede Social: www.facebook.com/viagemaminasmusical

 

Elenco
Wagner Merije é poeta, compositor, jornalista, roteirista, diretor e curador. Mineiro do mundo, tem trabalhos lançados no Brasil e no exterior e alguns prêmios no currículo. Publicou os livros Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Cidade em transe (2015), Viagem a Minas Gerais (2013), Torpedos (2012), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013, e Turnê do Encantamento (2009), lançados em alguns dos principais eventos literários do país. Sua escrita também está em antologias e em outras mídias. Trabalhou para jornais, revistas, TVs e rádios no Brasil e no exterior, tais como Folha de São Paulo/Ilustrada, O Tempo, TV Minas, TV Sesc, Rádio Inconfidência, dentre outros veículos. Criou e coordena o projeto MVMob – Minha Vida Mobile, que capacita estudantes e educadores para a apropriação criativa dos celulares. Tem músicas em discos, filmes, séries e programas de TV. Recebeu os prêmios Sesc Sated (2003), Prêmio Tim da Música Brasileira (2005), Rumos Itaú Cultural (2008), Inovação Educativa Fundação Telefônica – OEI (2011), Prêmio da Música Brasileira (2013)­­­­. Em 2014 foi homenageado pelo Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. É de BH, já morou em Londres e desde 2005 habita SP. Mantém o site www.merije.com.br

Tâmara David é atriz, cantora e produtora cultural. Participou de diversos grupos como Teatro Negro e Atitude, Enxadário e Sambaê, onde iniciou o estudo da voz e da percussão através da pesquisa da música de domínio público, como o samba de roda do recôncavo baiano, afoxés, música popular e afro-brasileira. Mineira de Belo Horizonte, radicada em São Paulo, integrou o grupo Ilú Obá De Min de 2007 a 2016, e como coordenadora realizou junto ao grupo preparação vocal e estudo de que inclui cantigas em yorubá presentes na cultura dos terreiros de Candomblé. Também canta em grupos de música popular brasileira, como Prato Principal, Festa da Massa, Mbej-Lua de Encantarias, Samba Negras em Marcha e Tambores em Mim.

Matheus Nascimento começou estudar violão aos 7 anos de idade no sul de Minas, onde nasceu. Hoje, como 26, morando em São Paulo, participa de diversos grupos e acompanha sambistas da nova geração e também da velha guarda, como Zé Maria, Toinho Melodia, Ideval Anselmo, Carlão do Peruche, Embaixada do Samba , Wilson das Neves, entre outros. Dirige musicalmente o grupo Roberta Oliveira & O bando de Lá e participa dos projetos, Cantigas de Alem Mar, Prato Principal e Combo de Musica Brasileira Moacir Santos.

Ficha técnica
Roteiro e Direção: Wagner Merije
Assistente de Direção: Tâmara David
Identidade visual : Rômulo Garcias
Produção: Flavia Mafra
Gestão: Aquarela Brasileira

Viagem a Minas Gerais_ilustrações Rômulo Garcias

 

Ilustrações: Rômulo Garcias